Essa estrela que vai crescendo dentro de mim vai implodir
aos poucos. Não é tortura, é um experimento muito cruel do meu próprio
organismo. Eu puxo meus dedos eu puxo o ar com meus dedos como se puxa um
lençol e ele se contorce numa imagem psicodélica. Como aquelas bolhas de ar
saindo de dentro do Donnie Darko. É o ar ou é o tempo ou só sou eu
tentando domar a vida. Só sou. Desviando a atenção do que está na minha
frente, porque eu não gosto de olhar a indiferença de frente. É melhor bailar
com o ar, enquanto meus dedos sugam as coisas que eu não vejo e comprimem isso
e tudo se ajeita. Mas na verdade é horrível. É horrível.
sábado
segunda-feira
Eu não sei
Às vezes eu sou como um gatinho arranhando,
com medo demais
para enfiar as unhas
e agarrar.
E vou afundando em sono e pesar, pesar, pesar...
Até inchar,
pesada, com as pernas fracas,
caindo para o chão.
E ninguém enxerga
mas vou desaparecendo,
e sucumbindo dentro de mim mesma,
e realmente não importa que vejam.
Não quero que vejam.
Alguém dentro de mim quer que notem
e enxerguem
e exclamem "não faça isso"
mas não sou eu.
Eu já quase não existo.
E isto não é bonito,
nem poético.
Nem era pra ser assim.
Não era pra ser.
Não era pra ser...
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